5 perguntas que todo designer deveria fazer no início de um projeto
Começar um projeto sem fazer as perguntas certas é a receita para dor de cabeça. Briefing mal feito gera expectativa errada, entrega frustrada e, no pior cenário, quebra de contrato. A boa notícia é que cinco perguntas bem feitas no kickoff já resolvem a maioria dos problemas antes deles aparecerem.

Apparicio Junior
Head of Product Design

Qual é realmente o problema?
Parece óbvio, mas não é. Se você conversar com diferentes clientes, vai perceber que a maioria não tem clareza sobre o problema real. Eles dizem coisas como "o site precisa vender mais", "o formulário tem um problema" ou "quero um visual mais moderno". São desejos, não definições.
O seu trabalho é ir além dessas frases genéricas. Pergunte: o que estamos tentando resolver de fato? Quais são os problemas macro e quais são os micro? E principalmente: isso é um problema real dos usuários, um problema de negócio ou apenas um desejo do cliente?
Querer um site mais moderno não é necessariamente um problema. Pode ser que o site atual funcione perfeitamente para os usuários. Então, antes de abrir o Figma, utilize canvas, workshop, desk research, análise de dados. Mas não comece o projeto sem que você e o cliente tenham clareza do que será resolvido.
Como vamos medir sucesso?
Definir números para mapeamento de resultados é uma das coisas mais importantes em qualquer projeto. Primeiro porque alinha expectativas. Segundo porque cria um sistema de confiança entre o que você faz e o que o cliente espera.
Antes de começar, pergunte ao cliente: o que você considera resultado? Explore essa pergunta até encontrar um meio termo entre o que você quer entregar e o que ele espera receber. Depois, tire um retrato dos números atuais. Esses são os dados de antes. Após o projeto, você vai comparar com os dados de depois.
Métricas permitem que você prove valor. Sem elas, o seu trabalho é uma opinião bonita. Com elas, é uma entrega mensurável. E se os números não melhoraram, você tem dados para entender o porquê e propor ajustes. Isso é profissionalismo.

Quem são os stakeholders?
Nem todo mundo envolvido no projeto tem o mesmo papel. Existem pessoas que tomam decisão, pessoas que precisam ser consultadas e pessoas que apenas precisam ser informadas. Misturar esses papéis é garantia de conflito.
Mapeie desde o início: quem são os decisores finais? Quem precisa ser consultado para fornecer informações ou validar etapas? E quem apenas precisa receber atualizações sobre o andamento? Esse mapeamento te ajuda a entender com quem você deve se aproximar, quem realmente vai aprovar o seu trabalho e quem vai consumir o resultado.
Em empresas grandes, essa definição é ainda mais crítica. Em um prédio com milhares de pessoas, o seu projeto pode envolver 30 stakeholders divididos nesses três círculos. Saber quem é quem desde o primeiro dia evita surpresas no meio do caminho.
Quais são as restrições e limitações?
Todo projeto tem limites. Pode ser orçamento, pode ser prazo, pode ser tecnologia, pode ser capacidade do time de desenvolvimento. Perguntar sobre restrições no início não é ser pessimista, é ser profissional.
Quando você entende as limitações, consegue propor soluções viáveis. Se o prazo é curto, você adapta o escopo. Se a tecnologia é limitada, você ajusta a complexidade do design. Se o orçamento é apertado, prioriza o que gera mais impacto com menos esforço.
Designers que não perguntam sobre restrições acabam criando soluções lindas que nunca são implementadas. E a culpa não é do desenvolvedor ou do PM. É do designer que não fez a pergunta certa no momento certo.
Qual é a estratégia da empresa para este projeto?
Essa é a pergunta mais avançada das cinco e talvez a mais importante. Toda empresa tem uma lista de iniciativas, problemas ou desejos. Desses, quais fazem parte da estratégia anual? Quais são prioridades que afetam diretamente o negócio?
Se o projeto no qual você está trabalhando não está alinhado com a estratégia da empresa, existe um risco grande de ele ser deprioritizado no meio do caminho. Já aconteceu com você? Pois é.
Se o cliente não souber a estratégia, ajude a definir. Utilize canvas de negócio, perguntas direcionadas, workshops. É parte do seu trabalho como designer ajudar a criar clareza. E se a estratégia já existe, leia, entenda e valide se o seu projeto está alinhado com ela. Esse alinhamento é o que garante que o seu trabalho vai ter impacto real e não vai morrer na gaveta.
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